terça-feira, 30 de dezembro de 2008

Vai ou não vai


"eu gasto hoje
ou eu guardo pra amanhã?
sob o signo do quando
eu observo o saldo
é muita solicitação,
é muita solicitação
não quero atender nenhuma chamada,
expectativa
eu quero é cair nas graças do céu
eu quero é mel,
eu quero um sinal,
o papel principal
eu quero é curtir, curtir o carnaval"
E esse ano que não vai... Já vai? Ou já vai tarde? Não sei se trazido pelos apelos midiáticos (a dona mídia é que paga meu salário, fazer o quê) ou pelas conversas, o ano de 2009 chega cedo ou tarde, mas já vem com os braços cheios de metas, objetivos.

Pensei até em fazer uma listinha para 2009. Mas parei. Vi que eu ia fazendo, na verdade, uma lista de compras! Isso mesmo, eu naturalmente iria parar para planejar o que gastar no ano que vem...

Será que eu sempre me planejei assim? Acho que não, já que nem sempre tive renda própria. Mas resumir um ano a sonhos de consumo é mediocrizar os sonhos, sugar a vida das nuvens, dar um pulinho ao invés de se jogar do monte.

Ai ai ai. Acho que minha resolução de ano novo terá que ser diferente. Ui ui ui.
Só se eu planejar VIVER no ano que vem. Ai, que dramático.

Mesmo assim, eu me comprometo:
- A não esperar companhia para desfrutar da cidade. Ela é minha, ora.
- A não demorar para tomar atitudes necessárias.
- A de buscar um ideal quase impossível jornalisticamente: trabalhar para viver e não viver para trabalhar.
- A ser uma moça mais consciente da necessidade dos outros à minha volta.
- A ter menos medo. De mim, dos outros, do amanhã.
- A não tomar verdades alheias para mim.
- A não negligenciar a minha saúde.
- A não me conformar com tentativas. A sonhar com o resultado mais maravilhoso do mundo.
- A não me decepcionar com a falta de amor nas pessoas. Amar sempre, sem recompensa, sem o espírito do galego cobrador.
- A conhecer mais de Deus e fazer disso uma prioridade. Ser mais madura diante Dele.

Eita, escrevi foi muito. Só falta chegar o ano agora. Agora. AGORA. Chega aí, pô. Vai entrando, a casa é sua, fique à vontade. Quer descansar um pouquinho? Deixa pra virar mais tarde, então. Dá um cochilo primeiro. Eu ficoesperta, só esperando você mudar de idéia e raiar o outro dia, com um sol barulhento, de fogos de artifício. Quem sabe aí eu acordo mesmo e encaro você numa boa. O quê, já foi?

segunda-feira, 24 de novembro de 2008

Quando eu encontrei meus sapatos verdes


Luz do Sol para a minha torrada! E um pouco de chá...

Quando eu encontrei meus sapatos verdes, já se passavam três dias de indecisão guarda-roupística. Quando as combinações de roupa começam a se acumular na cama uma hora antes de qualquer compromisso, eu chego 15 minutos atrasada por ter trocado de roupa mais uma vez e decididamente não estou de TPM, as rugas se formam na testa.

É que não saber o que vestir aos vinte e dois anos é estar incerta do meu lugar no mundo. E olhem que até já sei o que vestir em outras idades. Numa bela tarde na Monsenhor Tabosa, ousei vestir uma chemise de estampa de oncinha, com cinto-corrente de metal, provando com uma sandália fininha, de salto médio e pedra grande entre os dois maiores dedos do pé. Custei a acreditar - fiquei tão bem! Aí veio o pensamento: essa pode ser a Larissa aos 35 anos. Será? Se eu viver, vocês verão.

Não faço o tipo fashionista, mas gosto de sentir-me bem vestida, o que não necessariamente é estar "bem-vestida", no sentido formal. Mas quando visto uma roupa que condiz comigo, o mundo parece mais macio de ser enfrentado. Por isso, quando encontrei meus sapatos verdes, nem parecia que os passos pudessem ser tão coloridos e confortáveis. Nunca esperava isso.

Quando calcei meus sapatos verdes, pude pisar toda a planta do pé sem hesitação, como um divertimento. Mesmo sabendo dos buracos e dos cocôs de cachorro na calçada... Ai, que falta faz poder calçar meus sapatos toda hora!

segunda-feira, 20 de outubro de 2008

Na torre de marfim


"Fique em casa, não tome vento..."
Vanessinha, contando A História de uma Gata

Tanto tempo para decidir o próximo passo. E quando ele apareceu, como uma pegada impressa logo adiante, tive medo. Porque ser moça de vinte e dois anos também é ter uma certa cautela. Mesmo assim, acautelando-me, vou chegando à conclusão de que é isso mesmo que devo procurar: sair da torre de marfim.

Explico-me: amo os meus pais. Todos os dias, agradeço a Deus por eles serem a minha família e sei que vou seguir o exemplo deles na hora de criar uma outra. Talvez seja esse o problema. Eu os amo demais para me indispor com eles, mesmo sabendo que agora estou no que chamo de “zona de conflito”.

Eu e meus pais estamos claramente em movimentos contrários, como deveria ser quando os filhos estão por volta dos vinte e dois anos. Eu, caminhando em direção a uma vida adulta cada vez mais plena, quero gozar não apenas da responsabilidade que dela advém, mas incluir no pacote uma maior liberdade na tomada de decisões. Eles querem permanecer no estabelecimento de regras.

Não pensem que eu não compreendo isso. Eles têm mesmo o direito às regras, apesar de já ter uma certa independência financeira, porque eu moro na casa deles. É isso mesmo que tenho sentido nos últimos tempos: que a casa não é mais tão minha quanto antes.

Confesso que antes essa idéia não se delineava tão claramente na minha cabeça. É que a minha torre é muito confortável, e eu acabo não tendo muitas preocupações para mantê-la. Além de contar sempre com a companhia dos meus pais, que, repito, é algo de muito valor para mim.

Mas nesse último final de semana, não me vi com vinte e dois anos. Apertei o botão do forward e me imaginei com um pouco mais, uns trinta, talvez, sob a mesma tutela. Vi a imagem de alguém diminuído de potencial, cheio de possibilidades definhadas, por ser tão dependente.

E eu não quero isso. Quero ser tudo que posso ser, para a glória de Deus. Não sei se era esse o meu sonho, querer sair de casa. Mas ser moça de vinte e dois anos também é ter coragem de sonhar novos sonhos e esperar não ter pesadelos com as conseqüências.

quinta-feira, 4 de setembro de 2008

A Crise


Para entender o gringuês
A crise... Bem, a crise ainda não dá pra entender.

Faz um tempo que queria abordar a crise num texto bloguístico. Por que eu acho que deveríamos ter palestrinhas educativas sobre a vida após os vinte anos. Elas são mais necessárias do que as sessões de explicações sobre as mudanças da adolescência, por exemplo.

Na tal da puberdade, parece que pais/professores/terapeutas estão tão preocupados em esclarecer as mudanças da adolescência, que a gente vive num terror antecipado. É tanta expectativa, tantas descrições excessivamente visuais que a gente quase tem pesadelo com a adolescência. “Mãe, tem um hormônio se escondendo no armário...”

Pois é. Mas ninguém explica coisa alguma quando chegamos aos vinte. Não tem ninguém falando do fantasma do desemprego, do stress, do tempo perdido...

Alguém lembra daquela brincadeira em que a gente colocava três nomes de menino, três lugares para morar depois de casar, o número de filhos, se seria rico, pobre ou miserável? Bem no meio, eu escrevia a idade que queria ter ao casar: vinte e três anos. Achava que estaria tão bem resolvida até lá... E agora, uns seis meses para completar os vinte e três, admito, sem chance de erro: estou bem no meio da crise dos vinte e poucos anos.

Essa crise não é historinha nova. Bem que me avisaram que ela existiria. Eu tenho até definição própria: “Eu já fiz algumas coisas. Experimentei um pouco. Algumas deram certo, outras nem tanto. Mas agora sinto que não dá mais para experimentar. Preciso acertar.”

Tem gente que muda o curso na faculdade. Tem gente que vai até o final, para fazer outra coisa. Tem gente que tranca o curso e vai trabalhar. Tem gente que pára tudo para estudar para concurso. Tem gente que termina aquele relacionamento de mil anos. Tem gente que sai de casa. Tem gente que viaja.

Tem gente que, mesmo achando estar na direção certa, fica um tempinho esperando na estrada, pensando se é aquilo mesmo que deve ser feito. Eu, bem claramente, estou na estrada, esperando um pouquinho. Pesando as tentativas. Alguém dá carona?

terça-feira, 1 de julho de 2008

Mensagem na garrafa


Assim que fiz esse post, não havia música.
Graças ao Lenine, agora há música no meu mar.
Escute, veja e percorra também...

A você que a recolheu,

É tarde agora. Você já tem as palavras nas mãos. A garrafa nem sabia quem iria encontrar. A nós, só as surpresas. A mim, a você e à garrafa. E foi você quem a esvaziou. Agora, é tarde. A culpa das palavras também é sua.

Mas eu prometo: as palavras também são suas. O estar à deriva, o brilho ao sol e a areia grudada também te pertencem agora. Agora que é cedo para partir ou dizer dizeres absolutos.

A verdade é que existe a garrafa e existiu mar. E você pode quebrar a garrafa, jogar as palavras fora, cuspir no mar e me matar. Mas eu já terei escrito e enviado a garrafa. E você já a teria tocado e esvaziado. Não vê? Sempre haverá o antes. E, antes de nada mais existir, sempre haverá o segundo seguinte. Espero encontrar você lá. Mas não irei.

quarta-feira, 18 de junho de 2008

London, London


Para não ficar na mesma versão...
Convido minha alma de vinte e dois anos para ir a London, London, procurar discos voadores no céu e só saber deste mundo pelas cartas da Maria Bethânia. Alerto, porém, que “London, London” não fica no Reino Unido. É o verdadeiro ponto gerador do meus sonhos de motocicleta. Um auge constante e a estrada borrada de velocidade.

London, London não é exílio. É lugar de cabelos ao vento e nenhuma preocupação com a poeira ou o sol de rachar. É ter alguém na garupa, ou estar na garupa de alguém, tão determinado a chegar lá quanto você.

London, London é puro escapismo. Por isso mesmo, tem um rasgo difícil: a voz do Caetano não é passagem. Não existe o “moço, um tíquete para London, London.” Mesmo porque London, London é anti-registros. Não dá pra comprar um portal. Portais são encontrados, sem escolha, sem hora certa, sem propósito. London, London pressupõe a dúvida antes de atravessar o lado vazio do portal interno.

London, London é prisão. Depois de conhecer a fração cearense da utopia britânico-caetana, como esquecer, como negar? London, London existe e todos os dias renasce do cinza.

terça-feira, 3 de junho de 2008

Não sei paquerar.


White Stripes e as inversões da conquista.

Um olhar de estremecer o juízo. Bléin! Um ponto para o paquerante. Mas, na conta da paquerada, já são dez a favor do mocinho. E ele parece mesmo um mocinho e outros diminutivos: charmosinho, bonitinho, gatinho. Nossa, eu escrevi "gatinho"! Alguém me detenha!

É que ser moça de vinte e dois anos também é seguir contabilizando os pontos fracos. E trabalhá-los, em busca de chegar aos trinta e cinco, de fato, no auge feminino. Vamos, portanto, a mais um fraco: não sei paquerar!

Quem tem conversado comigo nos últimos meses certamente já ouviu essa reclamação, quase um murmúrio de derrota. Não que essa falta de habilidade paquerística atrapalhe de todo o progresso da vida amorosa. Mas não é exatamente um impulso animador.

Já pedi dicas aos amigos mais próximos, inclusive. De conselhos talvez úteis, tive os da minha prima, que ensinou uns olhares duvidosos. Até agora não tive chance (ou coragem!) de aplicar. Funcionando, com certeza aviso e repasso.

Talvez a raiz do problema esteja na raiz de todos os males: a mente. Essa história de conquista, paquera, é um instinto quase primitivo de encontrar par. Deve ser um processo meio tateante mesmo. Mas quem apaga a luz do meu cérebro? Consigo não.

Talvez a raiz da minha mente anti-flerte esteja na própria definição de paquera. Vejo o encontro todo quase como o contato entre dois hologramas, representativos apenas dos interesses imediatos e superficiais daquelas duas pessoas originais. Se esse primeiro contato vai bem, talvez os dois deixem as personalidades "de verdade" darem uns palpites na historinha.

Eu, larissinha-de-batom-vermelho, raramente tenho paciência para deixar o personagem interior aflorar. Coitado dele. Fica relegado aos encontros significativos e, mesmo nesses momentos, quase nunca é valorizado. Acho que ele é muito comunzinho...

Ah, essa questão do comum é uma outra. Outra mesmo, renderia outro post, talvez ainda renderá. A mim, parece que o elemento chave da paquera é o diferencial. Aquela pessoa que se fez notar e lembrar depois, justificando até um telefonema. A percepção desse diferencial pode ser o tempero da história toda.

A pimentinha da paquera acho que é algo nada sutil, mas que é decidido pelas sutilezas: a luta pela dominação, estabelecida logo no início dos contatos. Não domino, mas admiro quem consegue entender e beneficiar-se desse lance de saber a hora certa de parecer dominado, de ser a presa, para, no minuto seguinte, mostrar que não se está vencido. Ou que se está a um mísero passo de sê-lo.

E ser vencido é apaixonar-se. Vencer, também. Não podia ser sempre assim: todos vencendo, todos vencidos?

Agora, a saideira:

- Os rapazes são mais tapados do que aparentam. Li até um estudo a respeito recentemente. As moças podem até hastear a bandeira no nariz dos cidadãos, que eles NÃO percebem. Segundo a pesquisa, o que nós consideramos sinais claros de interesse, para eles pertence à zona obscura entre namoro e amizade. Exemplo: jogar o cabelo para trás, num estilo comercial de condicionador.

- Homens gostam de mulheres bonitas. Vocês acreditam nesse papo de beleza "interior"? Se algum cara ainda tiver coragem de usar essa, vai ser pra queixar uma moça tida como bonita. Isso pode até parecer mágoa de moça feinha. E pode até ser!

- Já as moças namoram numa boa caras que não são tidos como bonitos de cara. É que a atração feminina reside em outras qualidades, ou em mais qualidades. Para mim, é comum achar o cara mais lindo do mundo sem graça. Enquanto o outro, sem ser essas coisas todas, mas com um diferencial marcante (bom papo, por exemplo) é revestido de uma graça indefinível.

- Ah, e quero aproveitar para deixar aqui um protesto. Eu digo NÃO aos codinomes generalizantes. Dá gastura, gente. Gastura de ouvir "gata", "gatinha", "morena", "princesa"...
Agora, o mais odioso é ouvir "gostosa". "Gostosa" se diz para a bisteca que vem na marmita. Para a asa de frango que se rouba da panela. Eu tenho verdadeiras visões de violência quando me dirigem essa palavra. E não digam que não avisei.

sábado, 17 de maio de 2008

Caro amor que nunca veio.


É com óbvia tristeza que faço aqui o meu registro. O sol nasceu. A claridade iluminou árvores e pássaros, pedras e animais. O vento soprou medianamente. Ouvi vozes. Horas depois, escureceu, as vozes cessaram. Mas o amor não veio.

A janela continua aberta. As venezianas limpas, como que pelo esforço de aparentar ordem. O quarto está calado. A cama colorida não se atreve a me animar. O espelho não ousa refletir. E, no entanto, eu preciso fazer barulho. Portanto preencho essa folha, fazendo um inútil protesto ao branco.

Cada segundo denuncia a ausência de um destinatário! Cada segundo empunha uma bandeira de não-virá! Ainda assim, não existem mais segundos, porque não há mais vento. Só uma brisa empurra o tempo e mostra o quanto estamos parados. Não posso reclamar da ausência de promessas. Nunca me prometeram promessas.

Onde está o prenúncio de dias mais preenchidos? Foi-se. Ou nunca veio também. Dar as caras é raro no meu universo. Se um quarto não fosse um quarto, e sim a metade, estaria mais satisfeita. Um quarto nunca é suficiente.

Pois cesso. Finjo que nunca estiveste aqui, amor. Pretendo não ver-te, na esperança de ter ao menos uma expectativa atingida. E sei, sei que não veio. Sei até o motivo: não sabia, não é? É tão notória a ignorância da sua existência. Mas é você mesmo que se anula, não existindo no outro! É você, amor, que zera o placar! Não vem e não sente, não vê e não se aborrece, não se preocupa, não se substitui, não permite, não existe!
Acabou, portanto, mais um dia, mais uma noite. E, você, amor, não veio.

* Enquanto não termino de escrever mais um post aos moldes do "Aos Vinte e Dois", contentem-se com esse texto aí, escrito não sei quando, só para o blog não ficar tão estático quanto o meu pensamento.

domingo, 4 de maio de 2008

Pensamento estático


Trent Reznor ajuda a pensar.
"E quando o dia chegar,
eu me tornarei o céu.
E eu me tornarei o mar.
E o mar virá me beijar.
Pois eu estou indo pra Casa.
Nada pode me deter agora."


Acredito que algum benefício resulte do pensamento estático. Do parar para pensar. Pensar, estando parado. Sem movimentos. Sem ruídos. Só o som dos pensamentos ecoando na caixa encefálica. O ruído das minhoquinhas do cérebro muito empolgadas num papo-cabeça.

Por algum tempo achei romântico evitar pensamentos. Li algumas frases soltas de autores mais soltos ainda sobre os malefícios da influência do raciocínio detido sobre atitudes importantes. É que a razão podia censurar as paixões. Havia a lenda do “se pensar bastante, não faz nada.”

Mas, all of a sudden, nem parece tão ruim não fazer nada. Ou melhor: escolher de forma mais demorada o que se faz. A diminuição das ações não poderá limitar a vida. Porque ser moça de vinte e dois anos é ter uma fileira de “i”s, só esperando pingos. E esses pingos, em particular, não caem do céu. São postos duramente, sacudidos depois de uma grande tempestade de pensamentos e vivências.

Imagino que os “i”s aguardam ansiosamente por seus devidos pingos. Se a pessoa nunca pára pra pensar, deve acumular um verdadeiro exército de “i”s aflitos, à beira do motim.

Pois eu cultivo os pensamentos. E quando não o faço antes de uma atitude, tenho a impressão de que o acúmulo é ainda maior: de arrependimentos. Claro que ter a ambos (pensamentos e arrependimentos) também é viver, mesmo tendo idade de moça. Escrevo “mesmo”, porque imagino que a palavra “moça” agrega à personalidade uma certa garota ingênua, admirando a vida pela janela. Mas sempre chego à conclusão de que há muitos “mesmos” em ser moça. Eu quero tirar as aspas deles.
* Neste post, o link é para o youtube... Minha conexão é de lascar.

sexta-feira, 25 de abril de 2008

Pra não jogar a bolsa fora


Escutem a Vanessinha morta de iludida em...
Quem nunca abafou uma paixão platônica, que jogue o primeiro lencinho. Eu já morri de me apaixonar (paixão mata mesmo, cuidado!) pelo deus grego, esquecendo que ele mora no Olimpo da indiferença.

Mas como ser moça de vinte e dois anos também é ter paixonites de doze, até que é possível admitir a fraqueza. A classe, a elegância de ser quase-mulher, é revelada no seguinte: já dá pra rir dessas situações. Contar para as amigas na maior banalidade, num tom de quem conta o caso do salto-quebrado-no-meio-da-festa.

É melhor do que permanecer naquela: "Eu juro que ele olhou pra mim de um jeito diferente, hoje...". Mais realista é admitir que ele percebeu uma nova espinha no meu rosto, ou percebeu que minhas sobrancelhas não estão (ou não são, é a natureza delas) perfeitamente simétricas.

É definitivamente pior permitir que a quedinha pela criatura vire um belo tropeço. "Nem percebia que o amava, mas agora é inegável o fato de omitir todos os seus defeitos e transformá-lo no meu Gianecchini!". E o semancol interno (todo mundo tem uma dose) alertando: “Olha o buraco logo em frente... Olha aí! Olha aí, fia!!!" "Putz, caí."

Caiu, caiu mesmo. E derrubou todo o conteúdo da bolsa sentimental mágica: o batom show de auto-estima, o esmalte cintilante da segurança, o pó compacto da auto-conservação, o hidratante do bom senso. De repente você está no chão, à mercê de qualquer pisada. Dá vontade até de tomar uma atitude anti-econômica e jogar a bolsa fora de uma vez.

Só que antes de tomar atitude tão drástica, quero compartilhar uma noção otimista: é que é não é um poço. É um buraco. E buraco não é nenhuma tragédia. Aliás, buraco abre à toa, à toa (vide as ruas de Fortaleza). Recuperados os itens, dá para continuar a caminhada. Ir em busca do “sei lá” que se busca, quando se tem vinte e dois anos, mantendo a pose. Pelo menos é nisso que eu quero acreditar...

* Dengue 1:
Uma informação útil em tempos de epidemia: vocês sabiam que hidratante com cheiro ajuda a espantar o mosquito? (Ufa... A vida sem repelente é mais feliz!)

** Dengue 2:
E é verdade que tem um outro mosquito transmissor da doença rondando a cidade. Pelo menos era essa a informação contida no slogan do “MELA” (Movimento dos Eleitores da Luizianne Arrependidos) no cruzamento das avenidas da Universidade com 13 de Maio na última quarta-feira (23/04): “A dengue mata! Luizianne é responsável pela sua morte.” É o Luiziannes aegypti.

domingo, 20 de abril de 2008

Eu me pertenço! (Pelo menos por um dia...)


A música que faz imaginar...

Preparação: esconder o relógio; colocar o celular no silencioso (desligar, jamais!); alugar aquele filme que só eu gosto de ver trezentas vezes seguidas; vestir a calcinha velhinha e a camiseta rasgada (ou a camiseta velhinha e a calcinha rasgada, tanto faz).

Porque ser moça de vinte e dois anos é tirar um tempo para descansar. Um break entre um bloco e outro do programa em que se é protagonista. Algumas horas para dizer: “eu me pertenço!” ou para nem precisar falar.

Se tiver de soltar alguma declaração, que seja para questionar a inexistência do galã na vida real. Se tiver de se movimentar, que seja para ir em busca daquele resto de barra de chocolate na geladeira. Se tiver de chorar, que seja no final do filme. Se tiver de encerrar o dia de folga, que seja cantando ou dançando (ou ainda, os dois) a música que faz imaginar a presença perfeita.

Mas é preciso eliminar quaisquer traços da sombra nostálgica: rir da música, rir da boca que se abre, rir dos dentes, rir da voz, rir do mundo que me perdeu durante um dia. Acreditem: de vez em quando, é preciso forçá-lo a sentir minha falta.

quarta-feira, 16 de abril de 2008

Também quero ser noiva.


Já andei até cantarolando...
É, decidi. Vou em busca de um cidadão para ficar ao meu lado durante uma cerimônia chatinha e alguns anos incríveis. Ou será uma cerimônia incrível e alguns anos chatinhos, logo em seguida?

Brincadeira. Na verdade, não está nada decidido na minha vida, de noiva ou em geral. Mas achei curioso permitir que me viesse o interesse por fazer decisões sobre uma cerimônia que pode ou não acontecer. Parar uns bons quinze minutos para perguntar a mim mesma: será que vou entrar de branco? Será que vou inventar uma festa piradona para um casamento inesquecível? Será que vou vestir the ultimate bride gown?

As origens do pensamento estão com certeza no casamento da minha prima. Quase chorei na entrada da noiva. Creiam: também sou uma garotinha. Fato é que, tendo eu parado para refletir sobre a bendita cerimônia improvável (ela é tão improvável quanto é provável), imaginei se minhas amigas já teriam feito o mesmo.

Fugindo de mais inúteis conjecturas, fui direto às senhoritas. Sim, muitas delas são noivas em potencial. Algumas, noivas detalhadamente descritas, facilmente imaginadas por elas e por mim. Outras, como eu, desenvolveram um pouco de intolerância à tão aguardada entrada da mulher-bolo. Mas a grande maioria delas tinha alguma opinião a respeito. A música na entrada. O local da cerimônia. O vestido. A comida. A lua-de-mel.

Noivo, que é bom, nada. Ou quase nada. Onde estão os noivos do meu Brasil varonil? Cadê o varonil do Brasil, aliás? Manifeste-se. Dos detalhes mais entediantes, nós, as noivas, cuidamos.

Resta fazer o registro do lado positivo. Do casamento? Não, não me proponho a tanto. O lado positivo de imaginar, de decidir como será o nosso casamento, é acreditar no final feliz. Ou num começo feliz de uma vida a dois. Isso também é ser moça de vinte e dois anos: acreditar que, invariavelmente, não vai chover e o vestido será perfeito. O noivo, nem tanto.

* E não, eu não vou casar de preto... :P

terça-feira, 15 de abril de 2008

11 + 11


(Dessa vez é "Charmer", dos Kings of Leon)
Eu quero descobrir o que é ter vinte e dois anos. Ter essa idade de moça. Eu quero mesmo é saber como é o olhar de quem tem vinte e dois. Já é uma quantidade considerável de dias acumulados, mas não o bastante. Será que cada ano é uma virada de perspectiva? Deveria ser... Jogar fora os olhos velhos e ganhar um par novo, brilhante, com várias opções de tonalidade.

Para começar, ser moça de vinte e dois anos é não ser o bastante. Falta o depois do arco-íris, a emoção mais profunda, a conclusão mais contundente.

Falta ter vinte e dois anos para perturbar o mundo. Não dá vontade, às vezes, de cutucar o mundo? Dizer com o dedo que não acabou, não! Declarar aos arredores: "Estou só começando!"
É um começo. Mas agora já não tenho mais doze, nem quinze, nem vinte. Tenho vinte e dois e, com certeza, é essa idade que me tem.