segunda-feira, 20 de outubro de 2008
Na torre de marfim
Tanto tempo para decidir o próximo passo. E quando ele apareceu, como uma pegada impressa logo adiante, tive medo. Porque ser moça de vinte e dois anos também é ter uma certa cautela. Mesmo assim, acautelando-me, vou chegando à conclusão de que é isso mesmo que devo procurar: sair da torre de marfim.
Explico-me: amo os meus pais. Todos os dias, agradeço a Deus por eles serem a minha família e sei que vou seguir o exemplo deles na hora de criar uma outra. Talvez seja esse o problema. Eu os amo demais para me indispor com eles, mesmo sabendo que agora estou no que chamo de “zona de conflito”.
Eu e meus pais estamos claramente em movimentos contrários, como deveria ser quando os filhos estão por volta dos vinte e dois anos. Eu, caminhando em direção a uma vida adulta cada vez mais plena, quero gozar não apenas da responsabilidade que dela advém, mas incluir no pacote uma maior liberdade na tomada de decisões. Eles querem permanecer no estabelecimento de regras.
Não pensem que eu não compreendo isso. Eles têm mesmo o direito às regras, apesar de já ter uma certa independência financeira, porque eu moro na casa deles. É isso mesmo que tenho sentido nos últimos tempos: que a casa não é mais tão minha quanto antes.
Confesso que antes essa idéia não se delineava tão claramente na minha cabeça. É que a minha torre é muito confortável, e eu acabo não tendo muitas preocupações para mantê-la. Além de contar sempre com a companhia dos meus pais, que, repito, é algo de muito valor para mim.
Mas nesse último final de semana, não me vi com vinte e dois anos. Apertei o botão do forward e me imaginei com um pouco mais, uns trinta, talvez, sob a mesma tutela. Vi a imagem de alguém diminuído de potencial, cheio de possibilidades definhadas, por ser tão dependente.
E eu não quero isso. Quero ser tudo que posso ser, para a glória de Deus. Não sei se era esse o meu sonho, querer sair de casa. Mas ser moça de vinte e dois anos também é ter coragem de sonhar novos sonhos e esperar não ter pesadelos com as conseqüências.
Assinar:
Postagens (Atom)

