Quando eu encontrei meus sapatos verdes, já se passavam três dias de indecisão guarda-roupística. Quando as combinações de roupa começam a se acumular na cama uma hora antes de qualquer compromisso, eu chego 15 minutos atrasada por ter trocado de roupa mais uma vez e decididamente não estou de TPM, as rugas se formam na testa.
É que não saber o que vestir aos vinte e dois anos é estar incerta do meu lugar no mundo. E olhem que até já sei o que vestir em outras idades. Numa bela tarde na Monsenhor Tabosa, ousei vestir uma chemise de estampa de oncinha, com cinto-corrente de metal, provando com uma sandália fininha, de salto médio e pedra grande entre os dois maiores dedos do pé. Custei a acreditar - fiquei tão bem! Aí veio o pensamento: essa pode ser a Larissa aos 35 anos. Será? Se eu viver, vocês verão.
Não faço o tipo fashionista, mas gosto de sentir-me bem vestida, o que não necessariamente é estar "bem-vestida", no sentido formal. Mas quando visto uma roupa que condiz comigo, o mundo parece mais macio de ser enfrentado. Por isso, quando encontrei meus sapatos verdes, nem parecia que os passos pudessem ser tão coloridos e confortáveis. Nunca esperava isso.
Quando calcei meus sapatos verdes, pude pisar toda a planta do pé sem hesitação, como um divertimento. Mesmo sabendo dos buracos e dos cocôs de cachorro na calçada... Ai, que falta faz poder calçar meus sapatos toda hora!

