sexta-feira, 25 de abril de 2008

Pra não jogar a bolsa fora


Escutem a Vanessinha morta de iludida em...
Quem nunca abafou uma paixão platônica, que jogue o primeiro lencinho. Eu já morri de me apaixonar (paixão mata mesmo, cuidado!) pelo deus grego, esquecendo que ele mora no Olimpo da indiferença.

Mas como ser moça de vinte e dois anos também é ter paixonites de doze, até que é possível admitir a fraqueza. A classe, a elegância de ser quase-mulher, é revelada no seguinte: já dá pra rir dessas situações. Contar para as amigas na maior banalidade, num tom de quem conta o caso do salto-quebrado-no-meio-da-festa.

É melhor do que permanecer naquela: "Eu juro que ele olhou pra mim de um jeito diferente, hoje...". Mais realista é admitir que ele percebeu uma nova espinha no meu rosto, ou percebeu que minhas sobrancelhas não estão (ou não são, é a natureza delas) perfeitamente simétricas.

É definitivamente pior permitir que a quedinha pela criatura vire um belo tropeço. "Nem percebia que o amava, mas agora é inegável o fato de omitir todos os seus defeitos e transformá-lo no meu Gianecchini!". E o semancol interno (todo mundo tem uma dose) alertando: “Olha o buraco logo em frente... Olha aí! Olha aí, fia!!!" "Putz, caí."

Caiu, caiu mesmo. E derrubou todo o conteúdo da bolsa sentimental mágica: o batom show de auto-estima, o esmalte cintilante da segurança, o pó compacto da auto-conservação, o hidratante do bom senso. De repente você está no chão, à mercê de qualquer pisada. Dá vontade até de tomar uma atitude anti-econômica e jogar a bolsa fora de uma vez.

Só que antes de tomar atitude tão drástica, quero compartilhar uma noção otimista: é que é não é um poço. É um buraco. E buraco não é nenhuma tragédia. Aliás, buraco abre à toa, à toa (vide as ruas de Fortaleza). Recuperados os itens, dá para continuar a caminhada. Ir em busca do “sei lá” que se busca, quando se tem vinte e dois anos, mantendo a pose. Pelo menos é nisso que eu quero acreditar...

* Dengue 1:
Uma informação útil em tempos de epidemia: vocês sabiam que hidratante com cheiro ajuda a espantar o mosquito? (Ufa... A vida sem repelente é mais feliz!)

** Dengue 2:
E é verdade que tem um outro mosquito transmissor da doença rondando a cidade. Pelo menos era essa a informação contida no slogan do “MELA” (Movimento dos Eleitores da Luizianne Arrependidos) no cruzamento das avenidas da Universidade com 13 de Maio na última quarta-feira (23/04): “A dengue mata! Luizianne é responsável pela sua morte.” É o Luiziannes aegypti.

domingo, 20 de abril de 2008

Eu me pertenço! (Pelo menos por um dia...)


A música que faz imaginar...

Preparação: esconder o relógio; colocar o celular no silencioso (desligar, jamais!); alugar aquele filme que só eu gosto de ver trezentas vezes seguidas; vestir a calcinha velhinha e a camiseta rasgada (ou a camiseta velhinha e a calcinha rasgada, tanto faz).

Porque ser moça de vinte e dois anos é tirar um tempo para descansar. Um break entre um bloco e outro do programa em que se é protagonista. Algumas horas para dizer: “eu me pertenço!” ou para nem precisar falar.

Se tiver de soltar alguma declaração, que seja para questionar a inexistência do galã na vida real. Se tiver de se movimentar, que seja para ir em busca daquele resto de barra de chocolate na geladeira. Se tiver de chorar, que seja no final do filme. Se tiver de encerrar o dia de folga, que seja cantando ou dançando (ou ainda, os dois) a música que faz imaginar a presença perfeita.

Mas é preciso eliminar quaisquer traços da sombra nostálgica: rir da música, rir da boca que se abre, rir dos dentes, rir da voz, rir do mundo que me perdeu durante um dia. Acreditem: de vez em quando, é preciso forçá-lo a sentir minha falta.

quarta-feira, 16 de abril de 2008

Também quero ser noiva.


Já andei até cantarolando...
É, decidi. Vou em busca de um cidadão para ficar ao meu lado durante uma cerimônia chatinha e alguns anos incríveis. Ou será uma cerimônia incrível e alguns anos chatinhos, logo em seguida?

Brincadeira. Na verdade, não está nada decidido na minha vida, de noiva ou em geral. Mas achei curioso permitir que me viesse o interesse por fazer decisões sobre uma cerimônia que pode ou não acontecer. Parar uns bons quinze minutos para perguntar a mim mesma: será que vou entrar de branco? Será que vou inventar uma festa piradona para um casamento inesquecível? Será que vou vestir the ultimate bride gown?

As origens do pensamento estão com certeza no casamento da minha prima. Quase chorei na entrada da noiva. Creiam: também sou uma garotinha. Fato é que, tendo eu parado para refletir sobre a bendita cerimônia improvável (ela é tão improvável quanto é provável), imaginei se minhas amigas já teriam feito o mesmo.

Fugindo de mais inúteis conjecturas, fui direto às senhoritas. Sim, muitas delas são noivas em potencial. Algumas, noivas detalhadamente descritas, facilmente imaginadas por elas e por mim. Outras, como eu, desenvolveram um pouco de intolerância à tão aguardada entrada da mulher-bolo. Mas a grande maioria delas tinha alguma opinião a respeito. A música na entrada. O local da cerimônia. O vestido. A comida. A lua-de-mel.

Noivo, que é bom, nada. Ou quase nada. Onde estão os noivos do meu Brasil varonil? Cadê o varonil do Brasil, aliás? Manifeste-se. Dos detalhes mais entediantes, nós, as noivas, cuidamos.

Resta fazer o registro do lado positivo. Do casamento? Não, não me proponho a tanto. O lado positivo de imaginar, de decidir como será o nosso casamento, é acreditar no final feliz. Ou num começo feliz de uma vida a dois. Isso também é ser moça de vinte e dois anos: acreditar que, invariavelmente, não vai chover e o vestido será perfeito. O noivo, nem tanto.

* E não, eu não vou casar de preto... :P

terça-feira, 15 de abril de 2008

11 + 11


(Dessa vez é "Charmer", dos Kings of Leon)
Eu quero descobrir o que é ter vinte e dois anos. Ter essa idade de moça. Eu quero mesmo é saber como é o olhar de quem tem vinte e dois. Já é uma quantidade considerável de dias acumulados, mas não o bastante. Será que cada ano é uma virada de perspectiva? Deveria ser... Jogar fora os olhos velhos e ganhar um par novo, brilhante, com várias opções de tonalidade.

Para começar, ser moça de vinte e dois anos é não ser o bastante. Falta o depois do arco-íris, a emoção mais profunda, a conclusão mais contundente.

Falta ter vinte e dois anos para perturbar o mundo. Não dá vontade, às vezes, de cutucar o mundo? Dizer com o dedo que não acabou, não! Declarar aos arredores: "Estou só começando!"
É um começo. Mas agora já não tenho mais doze, nem quinze, nem vinte. Tenho vinte e dois e, com certeza, é essa idade que me tem.