terça-feira, 6 de janeiro de 2009

Aos vinte e três

Eu, eu sou um novo dia amanhecendo.
Eu sou um novo céu
Que pendura as estrelas hoje
Um pouco dividida
Eu fico ou fujo
E deixo tudo pra trás?
Sim, é o último post. Começo a escrever nessa caixa branca, sem linhas, e penso o quanto essa experiência se assemelha com meus antigos diários. De todo modo, fiz um registro de uma idade peculiar, de dias que se mostraram outros. Os dias se mostraram a mim sem permissão e foram passando. Ou alguns se esconderam? Foi como se não tivessem ido.
A idade me possuiu de inícios e de tentativas de fim. Tentativas, pela consciência de que nada termina, na verdade. E isso não é ruim. É uma permissão para os recomeços, é um dia novo amanhecendo enquanto a noite ameaça.

Quero mesmo que os meus vinte e três sejam mais corajosos na hora de ter esperança. Que eles abram de olhos abertos a janela do outro dia, todo dia. Que eles não tenham medo de sonhar ridiculamente. Se não for hoje, será amanhã. E se não houver amanhã, como na profecia de Renato, o dia bastou-se por si mesmo, por estar caminhando.

Por isso mesmo, os dias não ficam realmente para trás. Agradeço pelos dias que existiram. Sorrio com as lembranças deles, relevo os enganos. Parecem tão pequenos, agora. Dos vinte e dois, muitos momentos. E tantos outros por vir!

Ps¹.: Sempre foi minha intenção parar de escrever no blog aos vinte e três anos. As coisas finitas têm mais graça. Ps².: Quero agradecer a quem acompanhou o blog nesse período ou deu uma espiada por aqui. Nas fotos, duas pessoas me ajudaram: mamãe e Milena (a primeira sempre dizendo: "essa Larissa tem cada uma..." kkkkk).

terça-feira, 30 de dezembro de 2008

Vai ou não vai


"eu gasto hoje
ou eu guardo pra amanhã?
sob o signo do quando
eu observo o saldo
é muita solicitação,
é muita solicitação
não quero atender nenhuma chamada,
expectativa
eu quero é cair nas graças do céu
eu quero é mel,
eu quero um sinal,
o papel principal
eu quero é curtir, curtir o carnaval"
E esse ano que não vai... Já vai? Ou já vai tarde? Não sei se trazido pelos apelos midiáticos (a dona mídia é que paga meu salário, fazer o quê) ou pelas conversas, o ano de 2009 chega cedo ou tarde, mas já vem com os braços cheios de metas, objetivos.

Pensei até em fazer uma listinha para 2009. Mas parei. Vi que eu ia fazendo, na verdade, uma lista de compras! Isso mesmo, eu naturalmente iria parar para planejar o que gastar no ano que vem...

Será que eu sempre me planejei assim? Acho que não, já que nem sempre tive renda própria. Mas resumir um ano a sonhos de consumo é mediocrizar os sonhos, sugar a vida das nuvens, dar um pulinho ao invés de se jogar do monte.

Ai ai ai. Acho que minha resolução de ano novo terá que ser diferente. Ui ui ui.
Só se eu planejar VIVER no ano que vem. Ai, que dramático.

Mesmo assim, eu me comprometo:
- A não esperar companhia para desfrutar da cidade. Ela é minha, ora.
- A não demorar para tomar atitudes necessárias.
- A de buscar um ideal quase impossível jornalisticamente: trabalhar para viver e não viver para trabalhar.
- A ser uma moça mais consciente da necessidade dos outros à minha volta.
- A ter menos medo. De mim, dos outros, do amanhã.
- A não tomar verdades alheias para mim.
- A não negligenciar a minha saúde.
- A não me conformar com tentativas. A sonhar com o resultado mais maravilhoso do mundo.
- A não me decepcionar com a falta de amor nas pessoas. Amar sempre, sem recompensa, sem o espírito do galego cobrador.
- A conhecer mais de Deus e fazer disso uma prioridade. Ser mais madura diante Dele.

Eita, escrevi foi muito. Só falta chegar o ano agora. Agora. AGORA. Chega aí, pô. Vai entrando, a casa é sua, fique à vontade. Quer descansar um pouquinho? Deixa pra virar mais tarde, então. Dá um cochilo primeiro. Eu ficoesperta, só esperando você mudar de idéia e raiar o outro dia, com um sol barulhento, de fogos de artifício. Quem sabe aí eu acordo mesmo e encaro você numa boa. O quê, já foi?

segunda-feira, 24 de novembro de 2008

Quando eu encontrei meus sapatos verdes


Luz do Sol para a minha torrada! E um pouco de chá...

Quando eu encontrei meus sapatos verdes, já se passavam três dias de indecisão guarda-roupística. Quando as combinações de roupa começam a se acumular na cama uma hora antes de qualquer compromisso, eu chego 15 minutos atrasada por ter trocado de roupa mais uma vez e decididamente não estou de TPM, as rugas se formam na testa.

É que não saber o que vestir aos vinte e dois anos é estar incerta do meu lugar no mundo. E olhem que até já sei o que vestir em outras idades. Numa bela tarde na Monsenhor Tabosa, ousei vestir uma chemise de estampa de oncinha, com cinto-corrente de metal, provando com uma sandália fininha, de salto médio e pedra grande entre os dois maiores dedos do pé. Custei a acreditar - fiquei tão bem! Aí veio o pensamento: essa pode ser a Larissa aos 35 anos. Será? Se eu viver, vocês verão.

Não faço o tipo fashionista, mas gosto de sentir-me bem vestida, o que não necessariamente é estar "bem-vestida", no sentido formal. Mas quando visto uma roupa que condiz comigo, o mundo parece mais macio de ser enfrentado. Por isso, quando encontrei meus sapatos verdes, nem parecia que os passos pudessem ser tão coloridos e confortáveis. Nunca esperava isso.

Quando calcei meus sapatos verdes, pude pisar toda a planta do pé sem hesitação, como um divertimento. Mesmo sabendo dos buracos e dos cocôs de cachorro na calçada... Ai, que falta faz poder calçar meus sapatos toda hora!

segunda-feira, 20 de outubro de 2008

Na torre de marfim


"Fique em casa, não tome vento..."
Vanessinha, contando A História de uma Gata

Tanto tempo para decidir o próximo passo. E quando ele apareceu, como uma pegada impressa logo adiante, tive medo. Porque ser moça de vinte e dois anos também é ter uma certa cautela. Mesmo assim, acautelando-me, vou chegando à conclusão de que é isso mesmo que devo procurar: sair da torre de marfim.

Explico-me: amo os meus pais. Todos os dias, agradeço a Deus por eles serem a minha família e sei que vou seguir o exemplo deles na hora de criar uma outra. Talvez seja esse o problema. Eu os amo demais para me indispor com eles, mesmo sabendo que agora estou no que chamo de “zona de conflito”.

Eu e meus pais estamos claramente em movimentos contrários, como deveria ser quando os filhos estão por volta dos vinte e dois anos. Eu, caminhando em direção a uma vida adulta cada vez mais plena, quero gozar não apenas da responsabilidade que dela advém, mas incluir no pacote uma maior liberdade na tomada de decisões. Eles querem permanecer no estabelecimento de regras.

Não pensem que eu não compreendo isso. Eles têm mesmo o direito às regras, apesar de já ter uma certa independência financeira, porque eu moro na casa deles. É isso mesmo que tenho sentido nos últimos tempos: que a casa não é mais tão minha quanto antes.

Confesso que antes essa idéia não se delineava tão claramente na minha cabeça. É que a minha torre é muito confortável, e eu acabo não tendo muitas preocupações para mantê-la. Além de contar sempre com a companhia dos meus pais, que, repito, é algo de muito valor para mim.

Mas nesse último final de semana, não me vi com vinte e dois anos. Apertei o botão do forward e me imaginei com um pouco mais, uns trinta, talvez, sob a mesma tutela. Vi a imagem de alguém diminuído de potencial, cheio de possibilidades definhadas, por ser tão dependente.

E eu não quero isso. Quero ser tudo que posso ser, para a glória de Deus. Não sei se era esse o meu sonho, querer sair de casa. Mas ser moça de vinte e dois anos também é ter coragem de sonhar novos sonhos e esperar não ter pesadelos com as conseqüências.

quinta-feira, 4 de setembro de 2008

A Crise


Para entender o gringuês
A crise... Bem, a crise ainda não dá pra entender.

Faz um tempo que queria abordar a crise num texto bloguístico. Por que eu acho que deveríamos ter palestrinhas educativas sobre a vida após os vinte anos. Elas são mais necessárias do que as sessões de explicações sobre as mudanças da adolescência, por exemplo.

Na tal da puberdade, parece que pais/professores/terapeutas estão tão preocupados em esclarecer as mudanças da adolescência, que a gente vive num terror antecipado. É tanta expectativa, tantas descrições excessivamente visuais que a gente quase tem pesadelo com a adolescência. “Mãe, tem um hormônio se escondendo no armário...”

Pois é. Mas ninguém explica coisa alguma quando chegamos aos vinte. Não tem ninguém falando do fantasma do desemprego, do stress, do tempo perdido...

Alguém lembra daquela brincadeira em que a gente colocava três nomes de menino, três lugares para morar depois de casar, o número de filhos, se seria rico, pobre ou miserável? Bem no meio, eu escrevia a idade que queria ter ao casar: vinte e três anos. Achava que estaria tão bem resolvida até lá... E agora, uns seis meses para completar os vinte e três, admito, sem chance de erro: estou bem no meio da crise dos vinte e poucos anos.

Essa crise não é historinha nova. Bem que me avisaram que ela existiria. Eu tenho até definição própria: “Eu já fiz algumas coisas. Experimentei um pouco. Algumas deram certo, outras nem tanto. Mas agora sinto que não dá mais para experimentar. Preciso acertar.”

Tem gente que muda o curso na faculdade. Tem gente que vai até o final, para fazer outra coisa. Tem gente que tranca o curso e vai trabalhar. Tem gente que pára tudo para estudar para concurso. Tem gente que termina aquele relacionamento de mil anos. Tem gente que sai de casa. Tem gente que viaja.

Tem gente que, mesmo achando estar na direção certa, fica um tempinho esperando na estrada, pensando se é aquilo mesmo que deve ser feito. Eu, bem claramente, estou na estrada, esperando um pouquinho. Pesando as tentativas. Alguém dá carona?

terça-feira, 1 de julho de 2008

Mensagem na garrafa


Assim que fiz esse post, não havia música.
Graças ao Lenine, agora há música no meu mar.
Escute, veja e percorra também...

A você que a recolheu,

É tarde agora. Você já tem as palavras nas mãos. A garrafa nem sabia quem iria encontrar. A nós, só as surpresas. A mim, a você e à garrafa. E foi você quem a esvaziou. Agora, é tarde. A culpa das palavras também é sua.

Mas eu prometo: as palavras também são suas. O estar à deriva, o brilho ao sol e a areia grudada também te pertencem agora. Agora que é cedo para partir ou dizer dizeres absolutos.

A verdade é que existe a garrafa e existiu mar. E você pode quebrar a garrafa, jogar as palavras fora, cuspir no mar e me matar. Mas eu já terei escrito e enviado a garrafa. E você já a teria tocado e esvaziado. Não vê? Sempre haverá o antes. E, antes de nada mais existir, sempre haverá o segundo seguinte. Espero encontrar você lá. Mas não irei.

quarta-feira, 18 de junho de 2008

London, London


Para não ficar na mesma versão...
Convido minha alma de vinte e dois anos para ir a London, London, procurar discos voadores no céu e só saber deste mundo pelas cartas da Maria Bethânia. Alerto, porém, que “London, London” não fica no Reino Unido. É o verdadeiro ponto gerador do meus sonhos de motocicleta. Um auge constante e a estrada borrada de velocidade.

London, London não é exílio. É lugar de cabelos ao vento e nenhuma preocupação com a poeira ou o sol de rachar. É ter alguém na garupa, ou estar na garupa de alguém, tão determinado a chegar lá quanto você.

London, London é puro escapismo. Por isso mesmo, tem um rasgo difícil: a voz do Caetano não é passagem. Não existe o “moço, um tíquete para London, London.” Mesmo porque London, London é anti-registros. Não dá pra comprar um portal. Portais são encontrados, sem escolha, sem hora certa, sem propósito. London, London pressupõe a dúvida antes de atravessar o lado vazio do portal interno.

London, London é prisão. Depois de conhecer a fração cearense da utopia britânico-caetana, como esquecer, como negar? London, London existe e todos os dias renasce do cinza.