
É com óbvia tristeza que faço aqui o meu registro. O sol nasceu. A claridade iluminou árvores e pássaros, pedras e animais. O vento soprou medianamente. Ouvi vozes. Horas depois, escureceu, as vozes cessaram. Mas o amor não veio.
A janela continua aberta. As venezianas limpas, como que pelo esforço de aparentar ordem. O quarto está calado. A cama colorida não se atreve a me animar. O espelho não ousa refletir. E, no entanto, eu preciso fazer barulho. Portanto preencho essa folha, fazendo um inútil protesto ao branco.
Cada segundo denuncia a ausência de um destinatário! Cada segundo empunha uma bandeira de não-virá! Ainda assim, não existem mais segundos, porque não há mais vento. Só uma brisa empurra o tempo e mostra o quanto estamos parados. Não posso reclamar da ausência de promessas. Nunca me prometeram promessas.
Onde está o prenúncio de dias mais preenchidos? Foi-se. Ou nunca veio também. Dar as caras é raro no meu universo. Se um quarto não fosse um quarto, e sim a metade, estaria mais satisfeita. Um quarto nunca é suficiente.
Pois cesso. Finjo que nunca estiveste aqui, amor. Pretendo não ver-te, na esperança de ter ao menos uma expectativa atingida. E sei, sei que não veio. Sei até o motivo: não sabia, não é? É tão notória a ignorância da sua existência. Mas é você mesmo que se anula, não existindo no outro! É você, amor, que zera o placar! Não vem e não sente, não vê e não se aborrece, não se preocupa, não se substitui, não permite, não existe!
Acabou, portanto, mais um dia, mais uma noite. E, você, amor, não veio.
* Enquanto não termino de escrever mais um post aos moldes do "Aos Vinte e Dois", contentem-se com esse texto aí, escrito não sei quando, só para o blog não ficar tão estático quanto o meu pensamento.

Um comentário:
me contentei ja!!
hehehehe
ei, se garantiu, texto mto bom!!
=)
beijaoo!
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