terça-feira, 3 de junho de 2008

Não sei paquerar.


White Stripes e as inversões da conquista.

Um olhar de estremecer o juízo. Bléin! Um ponto para o paquerante. Mas, na conta da paquerada, já são dez a favor do mocinho. E ele parece mesmo um mocinho e outros diminutivos: charmosinho, bonitinho, gatinho. Nossa, eu escrevi "gatinho"! Alguém me detenha!

É que ser moça de vinte e dois anos também é seguir contabilizando os pontos fracos. E trabalhá-los, em busca de chegar aos trinta e cinco, de fato, no auge feminino. Vamos, portanto, a mais um fraco: não sei paquerar!

Quem tem conversado comigo nos últimos meses certamente já ouviu essa reclamação, quase um murmúrio de derrota. Não que essa falta de habilidade paquerística atrapalhe de todo o progresso da vida amorosa. Mas não é exatamente um impulso animador.

Já pedi dicas aos amigos mais próximos, inclusive. De conselhos talvez úteis, tive os da minha prima, que ensinou uns olhares duvidosos. Até agora não tive chance (ou coragem!) de aplicar. Funcionando, com certeza aviso e repasso.

Talvez a raiz do problema esteja na raiz de todos os males: a mente. Essa história de conquista, paquera, é um instinto quase primitivo de encontrar par. Deve ser um processo meio tateante mesmo. Mas quem apaga a luz do meu cérebro? Consigo não.

Talvez a raiz da minha mente anti-flerte esteja na própria definição de paquera. Vejo o encontro todo quase como o contato entre dois hologramas, representativos apenas dos interesses imediatos e superficiais daquelas duas pessoas originais. Se esse primeiro contato vai bem, talvez os dois deixem as personalidades "de verdade" darem uns palpites na historinha.

Eu, larissinha-de-batom-vermelho, raramente tenho paciência para deixar o personagem interior aflorar. Coitado dele. Fica relegado aos encontros significativos e, mesmo nesses momentos, quase nunca é valorizado. Acho que ele é muito comunzinho...

Ah, essa questão do comum é uma outra. Outra mesmo, renderia outro post, talvez ainda renderá. A mim, parece que o elemento chave da paquera é o diferencial. Aquela pessoa que se fez notar e lembrar depois, justificando até um telefonema. A percepção desse diferencial pode ser o tempero da história toda.

A pimentinha da paquera acho que é algo nada sutil, mas que é decidido pelas sutilezas: a luta pela dominação, estabelecida logo no início dos contatos. Não domino, mas admiro quem consegue entender e beneficiar-se desse lance de saber a hora certa de parecer dominado, de ser a presa, para, no minuto seguinte, mostrar que não se está vencido. Ou que se está a um mísero passo de sê-lo.

E ser vencido é apaixonar-se. Vencer, também. Não podia ser sempre assim: todos vencendo, todos vencidos?

Agora, a saideira:

- Os rapazes são mais tapados do que aparentam. Li até um estudo a respeito recentemente. As moças podem até hastear a bandeira no nariz dos cidadãos, que eles NÃO percebem. Segundo a pesquisa, o que nós consideramos sinais claros de interesse, para eles pertence à zona obscura entre namoro e amizade. Exemplo: jogar o cabelo para trás, num estilo comercial de condicionador.

- Homens gostam de mulheres bonitas. Vocês acreditam nesse papo de beleza "interior"? Se algum cara ainda tiver coragem de usar essa, vai ser pra queixar uma moça tida como bonita. Isso pode até parecer mágoa de moça feinha. E pode até ser!

- Já as moças namoram numa boa caras que não são tidos como bonitos de cara. É que a atração feminina reside em outras qualidades, ou em mais qualidades. Para mim, é comum achar o cara mais lindo do mundo sem graça. Enquanto o outro, sem ser essas coisas todas, mas com um diferencial marcante (bom papo, por exemplo) é revestido de uma graça indefinível.

- Ah, e quero aproveitar para deixar aqui um protesto. Eu digo NÃO aos codinomes generalizantes. Dá gastura, gente. Gastura de ouvir "gata", "gatinha", "morena", "princesa"...
Agora, o mais odioso é ouvir "gostosa". "Gostosa" se diz para a bisteca que vem na marmita. Para a asa de frango que se rouba da panela. Eu tenho verdadeiras visões de violência quando me dirigem essa palavra. E não digam que não avisei.

sábado, 17 de maio de 2008

Caro amor que nunca veio.


É com óbvia tristeza que faço aqui o meu registro. O sol nasceu. A claridade iluminou árvores e pássaros, pedras e animais. O vento soprou medianamente. Ouvi vozes. Horas depois, escureceu, as vozes cessaram. Mas o amor não veio.

A janela continua aberta. As venezianas limpas, como que pelo esforço de aparentar ordem. O quarto está calado. A cama colorida não se atreve a me animar. O espelho não ousa refletir. E, no entanto, eu preciso fazer barulho. Portanto preencho essa folha, fazendo um inútil protesto ao branco.

Cada segundo denuncia a ausência de um destinatário! Cada segundo empunha uma bandeira de não-virá! Ainda assim, não existem mais segundos, porque não há mais vento. Só uma brisa empurra o tempo e mostra o quanto estamos parados. Não posso reclamar da ausência de promessas. Nunca me prometeram promessas.

Onde está o prenúncio de dias mais preenchidos? Foi-se. Ou nunca veio também. Dar as caras é raro no meu universo. Se um quarto não fosse um quarto, e sim a metade, estaria mais satisfeita. Um quarto nunca é suficiente.

Pois cesso. Finjo que nunca estiveste aqui, amor. Pretendo não ver-te, na esperança de ter ao menos uma expectativa atingida. E sei, sei que não veio. Sei até o motivo: não sabia, não é? É tão notória a ignorância da sua existência. Mas é você mesmo que se anula, não existindo no outro! É você, amor, que zera o placar! Não vem e não sente, não vê e não se aborrece, não se preocupa, não se substitui, não permite, não existe!
Acabou, portanto, mais um dia, mais uma noite. E, você, amor, não veio.

* Enquanto não termino de escrever mais um post aos moldes do "Aos Vinte e Dois", contentem-se com esse texto aí, escrito não sei quando, só para o blog não ficar tão estático quanto o meu pensamento.

domingo, 4 de maio de 2008

Pensamento estático


Trent Reznor ajuda a pensar.
"E quando o dia chegar,
eu me tornarei o céu.
E eu me tornarei o mar.
E o mar virá me beijar.
Pois eu estou indo pra Casa.
Nada pode me deter agora."


Acredito que algum benefício resulte do pensamento estático. Do parar para pensar. Pensar, estando parado. Sem movimentos. Sem ruídos. Só o som dos pensamentos ecoando na caixa encefálica. O ruído das minhoquinhas do cérebro muito empolgadas num papo-cabeça.

Por algum tempo achei romântico evitar pensamentos. Li algumas frases soltas de autores mais soltos ainda sobre os malefícios da influência do raciocínio detido sobre atitudes importantes. É que a razão podia censurar as paixões. Havia a lenda do “se pensar bastante, não faz nada.”

Mas, all of a sudden, nem parece tão ruim não fazer nada. Ou melhor: escolher de forma mais demorada o que se faz. A diminuição das ações não poderá limitar a vida. Porque ser moça de vinte e dois anos é ter uma fileira de “i”s, só esperando pingos. E esses pingos, em particular, não caem do céu. São postos duramente, sacudidos depois de uma grande tempestade de pensamentos e vivências.

Imagino que os “i”s aguardam ansiosamente por seus devidos pingos. Se a pessoa nunca pára pra pensar, deve acumular um verdadeiro exército de “i”s aflitos, à beira do motim.

Pois eu cultivo os pensamentos. E quando não o faço antes de uma atitude, tenho a impressão de que o acúmulo é ainda maior: de arrependimentos. Claro que ter a ambos (pensamentos e arrependimentos) também é viver, mesmo tendo idade de moça. Escrevo “mesmo”, porque imagino que a palavra “moça” agrega à personalidade uma certa garota ingênua, admirando a vida pela janela. Mas sempre chego à conclusão de que há muitos “mesmos” em ser moça. Eu quero tirar as aspas deles.
* Neste post, o link é para o youtube... Minha conexão é de lascar.

sexta-feira, 25 de abril de 2008

Pra não jogar a bolsa fora


Escutem a Vanessinha morta de iludida em...
Quem nunca abafou uma paixão platônica, que jogue o primeiro lencinho. Eu já morri de me apaixonar (paixão mata mesmo, cuidado!) pelo deus grego, esquecendo que ele mora no Olimpo da indiferença.

Mas como ser moça de vinte e dois anos também é ter paixonites de doze, até que é possível admitir a fraqueza. A classe, a elegância de ser quase-mulher, é revelada no seguinte: já dá pra rir dessas situações. Contar para as amigas na maior banalidade, num tom de quem conta o caso do salto-quebrado-no-meio-da-festa.

É melhor do que permanecer naquela: "Eu juro que ele olhou pra mim de um jeito diferente, hoje...". Mais realista é admitir que ele percebeu uma nova espinha no meu rosto, ou percebeu que minhas sobrancelhas não estão (ou não são, é a natureza delas) perfeitamente simétricas.

É definitivamente pior permitir que a quedinha pela criatura vire um belo tropeço. "Nem percebia que o amava, mas agora é inegável o fato de omitir todos os seus defeitos e transformá-lo no meu Gianecchini!". E o semancol interno (todo mundo tem uma dose) alertando: “Olha o buraco logo em frente... Olha aí! Olha aí, fia!!!" "Putz, caí."

Caiu, caiu mesmo. E derrubou todo o conteúdo da bolsa sentimental mágica: o batom show de auto-estima, o esmalte cintilante da segurança, o pó compacto da auto-conservação, o hidratante do bom senso. De repente você está no chão, à mercê de qualquer pisada. Dá vontade até de tomar uma atitude anti-econômica e jogar a bolsa fora de uma vez.

Só que antes de tomar atitude tão drástica, quero compartilhar uma noção otimista: é que é não é um poço. É um buraco. E buraco não é nenhuma tragédia. Aliás, buraco abre à toa, à toa (vide as ruas de Fortaleza). Recuperados os itens, dá para continuar a caminhada. Ir em busca do “sei lá” que se busca, quando se tem vinte e dois anos, mantendo a pose. Pelo menos é nisso que eu quero acreditar...

* Dengue 1:
Uma informação útil em tempos de epidemia: vocês sabiam que hidratante com cheiro ajuda a espantar o mosquito? (Ufa... A vida sem repelente é mais feliz!)

** Dengue 2:
E é verdade que tem um outro mosquito transmissor da doença rondando a cidade. Pelo menos era essa a informação contida no slogan do “MELA” (Movimento dos Eleitores da Luizianne Arrependidos) no cruzamento das avenidas da Universidade com 13 de Maio na última quarta-feira (23/04): “A dengue mata! Luizianne é responsável pela sua morte.” É o Luiziannes aegypti.

domingo, 20 de abril de 2008

Eu me pertenço! (Pelo menos por um dia...)


A música que faz imaginar...

Preparação: esconder o relógio; colocar o celular no silencioso (desligar, jamais!); alugar aquele filme que só eu gosto de ver trezentas vezes seguidas; vestir a calcinha velhinha e a camiseta rasgada (ou a camiseta velhinha e a calcinha rasgada, tanto faz).

Porque ser moça de vinte e dois anos é tirar um tempo para descansar. Um break entre um bloco e outro do programa em que se é protagonista. Algumas horas para dizer: “eu me pertenço!” ou para nem precisar falar.

Se tiver de soltar alguma declaração, que seja para questionar a inexistência do galã na vida real. Se tiver de se movimentar, que seja para ir em busca daquele resto de barra de chocolate na geladeira. Se tiver de chorar, que seja no final do filme. Se tiver de encerrar o dia de folga, que seja cantando ou dançando (ou ainda, os dois) a música que faz imaginar a presença perfeita.

Mas é preciso eliminar quaisquer traços da sombra nostálgica: rir da música, rir da boca que se abre, rir dos dentes, rir da voz, rir do mundo que me perdeu durante um dia. Acreditem: de vez em quando, é preciso forçá-lo a sentir minha falta.

quarta-feira, 16 de abril de 2008

Também quero ser noiva.


Já andei até cantarolando...
É, decidi. Vou em busca de um cidadão para ficar ao meu lado durante uma cerimônia chatinha e alguns anos incríveis. Ou será uma cerimônia incrível e alguns anos chatinhos, logo em seguida?

Brincadeira. Na verdade, não está nada decidido na minha vida, de noiva ou em geral. Mas achei curioso permitir que me viesse o interesse por fazer decisões sobre uma cerimônia que pode ou não acontecer. Parar uns bons quinze minutos para perguntar a mim mesma: será que vou entrar de branco? Será que vou inventar uma festa piradona para um casamento inesquecível? Será que vou vestir the ultimate bride gown?

As origens do pensamento estão com certeza no casamento da minha prima. Quase chorei na entrada da noiva. Creiam: também sou uma garotinha. Fato é que, tendo eu parado para refletir sobre a bendita cerimônia improvável (ela é tão improvável quanto é provável), imaginei se minhas amigas já teriam feito o mesmo.

Fugindo de mais inúteis conjecturas, fui direto às senhoritas. Sim, muitas delas são noivas em potencial. Algumas, noivas detalhadamente descritas, facilmente imaginadas por elas e por mim. Outras, como eu, desenvolveram um pouco de intolerância à tão aguardada entrada da mulher-bolo. Mas a grande maioria delas tinha alguma opinião a respeito. A música na entrada. O local da cerimônia. O vestido. A comida. A lua-de-mel.

Noivo, que é bom, nada. Ou quase nada. Onde estão os noivos do meu Brasil varonil? Cadê o varonil do Brasil, aliás? Manifeste-se. Dos detalhes mais entediantes, nós, as noivas, cuidamos.

Resta fazer o registro do lado positivo. Do casamento? Não, não me proponho a tanto. O lado positivo de imaginar, de decidir como será o nosso casamento, é acreditar no final feliz. Ou num começo feliz de uma vida a dois. Isso também é ser moça de vinte e dois anos: acreditar que, invariavelmente, não vai chover e o vestido será perfeito. O noivo, nem tanto.

* E não, eu não vou casar de preto... :P

terça-feira, 15 de abril de 2008

11 + 11


(Dessa vez é "Charmer", dos Kings of Leon)
Eu quero descobrir o que é ter vinte e dois anos. Ter essa idade de moça. Eu quero mesmo é saber como é o olhar de quem tem vinte e dois. Já é uma quantidade considerável de dias acumulados, mas não o bastante. Será que cada ano é uma virada de perspectiva? Deveria ser... Jogar fora os olhos velhos e ganhar um par novo, brilhante, com várias opções de tonalidade.

Para começar, ser moça de vinte e dois anos é não ser o bastante. Falta o depois do arco-íris, a emoção mais profunda, a conclusão mais contundente.

Falta ter vinte e dois anos para perturbar o mundo. Não dá vontade, às vezes, de cutucar o mundo? Dizer com o dedo que não acabou, não! Declarar aos arredores: "Estou só começando!"
É um começo. Mas agora já não tenho mais doze, nem quinze, nem vinte. Tenho vinte e dois e, com certeza, é essa idade que me tem.